Chamada de artigos para o dossiê: REMHU, n. 67 (abril 2023) e n. 68 (agosto 2023)

2018-05-09

número 67 da Revista, de abril de 2023, incluirá um dossiê sobre o tema: “Mobilidades e diásporas negras nas Américas”. Data limite para entrega dos artigos, 10 de janeiro de 2023.

Organizadores convidados: Handerson Joseph (UFRGS, Brasil), Bruno Miranda (IISUNAM, México), Cédric Audebert (CNRS, Martinica, França)

Nas últimas décadas, acompanhamos a extensão dos polos da diáspora caribenha (Calmont, Audebert, 2007; Audebert, Domenach, 2008), bem como o crescimento das mobilidades originárias da África subsaariana em países da região latino-americana na forma de assentamentos, mais ou menos temporais e sob a condição de refúgio. Outras são as mobilidades em trânsito pela América do Sul e Central com o objetivo de alcançar à fronteira do México com os Estados Unidos, principalmente no caso das pessoas que solicitam refúgio nesse último país (Joseph, Miranda, 2021).

As rotas das populações migrantes negras nas Américas inscrevem-se em escalas espaciais e temporalidades mais ou menos largas, e determinam em grande medida a especificidade das suas experiências migratórias nos espaços de trânsito e de residência. Uma das características fundamentais destas migrações reside na geografia dos seus percursos. Com efeito, a diversidade crescente destas migrações Sul-Sul articula simultaneamente as mobilidades transamericanas (caribenhas) e transoceânicas (africanas subsaarianas), que se transformam em migrações Sul-Norte (na fronteira estadunidense). A articulação das escalas da mobilidade entre localidade e globalidade parece indispensável para compreender as lógicas de mundialização migratória nas quais se inscrevem as migrações de populações antilhanas e subsaarianas no continente.

Este Dossiê procura desenvolver novas abordagens, mudando nossas lentes não apenas em relação às diásporas negras, mas também os marcos conceituais e empíricos relacionados às mobilidades, principalmente a partir dos estudos que tratam das mobilidades negras, seja dentro ou a partir do Caribe e da África subsaariana, ou através das ramificações diaspóricas complexas que se constituem através da alteridade no espaço negro atlântico (Hoffmann, Poiret, Audebert, 2011).

Nossa proposta é também tematizar a negritude em movimento e o movimento da negritude, bem como a diáspora e o étnico em movimento por meio da ênfase dada à agência e à politicidade da pessoa negra no contexto da mobilidade. Buscamos também tornar suas trajetórias e experiências internacionalmente visíveis a partir da autonomia, num confronto aberto contra a miserabilidade de suas representações estatais e midiáticas, legitimadas porque se baseiam no racismo estrutural constantemente atualizado do ponto de vista neocolonial.

Este Dossiê está interessado em artigos que abordam os seguintes temas, de maneira não exclusiva:

- A racialização das pessoas migrantes africanas nos países latino-americanos ao longo do século XXI;

- As mobilidades das pessoas negras caribenhas (haitianas, cubanas, dominicanas, jamaicanas, portoriquenhas etc) nos diferentes polos migratórios do Caribe e fora dele;

- A produção de corredores migratórios por populações negras brasileiras, colombianas, venezuelanas, argentinas, peruanas, caribenhas e subsaarianas rumo ao Norte global, suas experiências de travessia de fronteiras frente ao controle migratório e securitização;

- A (re)atualização da reflexão sobre a diáspora negra nas Américas, e sobre o Atlântico negro como campo de estudo teórico e empírico.

**

artigo (inédito; entre 35 e 45 mil caracteres com espaço) pode ser escrito em português,

italiano, espanhol, francês ou inglês e será avaliado por dois referees. As normas de publicação e submissão estão disponíveis em: http://remhu.csem.org.br/index.php/remhu/about/submissions 

Os artigos devem ser enviados à Revista REMHU pelo site de submissão eletrônica de manuscritos: http://remhu.csem.org.br/index.php/remhu/index

 

Referências

AUDEBERT, Cédric e DOMENACH, Hervé. (2008). “Les migrants caribéens: réseaux et descendance”. Revue européenne des migrations internationale, v. 24, n. 1. https://halshs.archives-ouvertes.fr/halshs-01456343

CALMONT, André e AUDEBERT, Cédric. (2007). “Dynamiques migratoires de la Caraïbe”. Karthala: collection Terres d'Amériques. https://halshs.archives-ouvertes.fr/halshs-01456375

HOFFMANN, Odile; POIRET, Christian e AUDEBERT, Cédric. (2011). “La construction de l’altérité dans l’espace noir atlantique : Etats-Unis, France, Caraïbes, Amérique latine”. Revue Européenne des Migrations Internationales, v. 27, n. 1,  https://halshs.archives-ouvertes.fr/halshs-01456333

JOSEPH, Handerson e MIRANDA, Bruno (Orgs). (2021). (Trans)Fronteriza: Movilidades y diásporas negras en las Americas. 1ª ed., Ciudad Autónoma de Buenos Aires: CLACSO. https://www.academia.edu/53170824/Movilidades_y_di%C3%A1sporas_negras_en_las_Americas

 

*******

número 68 da Revista, de agosto de 2023, incluirá um dossiê sobre o tema: “Em fuga de conflitos armados". A data limite para entrega dos artigos é 10 de abril de 2023.

A recente invasão da Ucrânia por parte do exército Russo, bem como a continuação dos conflitos em Moçambique, Yemen e Síria, tem levantado, em nível midiático, um velho problema: a mobilidade humana induzida por guerras e outras formas de combates armados. Apesar das ações e dos bons propósitos da época posterior à Segunda Guerra Mundial, numerosos conflitos se desenvolveram nas últimas décadas em nível internacional, regional, nacional ou local. Alguns são extremamente midiáticos, enquanto outros permanecem bastante invisibilizados.

Conforme Armed conflict location & event data project (Acled, 2022) há 59 conflitos armados ativos em 2022, os quais se dão entre estado-nações ou, por vezes, envolvendo grupos armados locais. Alguns desses conflitos já têm uma baixa intensidade, sendo sempre possível uma repentina retomada. Em outros casos, apesar de encerrados, continuam vivas as consequências, sobretudo para a população civil. E é justamente a população civil a mais vitimizada: nos últimos anos, é crescente o número de civis mortos durante os combates ou devido às consequências dos conflitos (falta de alimentos, moradia e assistência sanitária, deslocamentos forçados, entre outros). E para além dos falecimentos, os conflitos impactam, sobretudo, na qualidade de vida de milhões de pessoas, obrigadas, com frequência, a sobreviver em condições degradantes e sem perspectivas para o futuro, inclusive com graves consequências em termos de saúde mental.

A mobilidade humana, nesse contexto, representa uma possível estratégia de sobrevivência e inclusão social. Em muitos casos trata-se de uma verdadeira fuga, sem nenhum tipo de preparação prévia que possa amenizar os perigos do deslocamento. Mesmo na terra de chegada, aos desafios da integração, que compartilham com todo tipo de migrante, se acrescenta a necessidade de lidar com as memórias e possíveis traumas dos eventos passados.

Este Dossiê está interessado em artigos que abordam os seguintes temas, de maneira não exclusiva:

  1. violação de direitos de pessoas em fuga de conflitos armados
  2. estratégias de sobrevivência por parte dos sujeitos envolvidos
  3. trajetórias de reconstrução das próprias vidas
  4. políticas de acolhimento e acompanhamento por parte dos países de acolhida (incluindo a sociedade civil organizada)
  5. situações específicas de mulheres e crianças não acompanhadas

**

artigo (inédito; entre 35 e 45 mil caracteres com espaço) pode ser escrito em português, italiano, espanhol, francês ou inglês e será avaliado por dois referees. As normas de publicação e submissão estão disponíveis em: http://remhu.csem.org.br/index.php/remhu/about/submissions 

Os artigos devem ser enviados à Revista REMHU pelo site de submissão eletrônica de manuscritos: http://remhu.csem.org.br/index.php/remhu/index