Chamada de artigos para o dossiê: REMHU, n. 68 (agosto 2023) e n. 69 (dezembro 2023)

2018-05-09

número 68 da Revista, de agosto de 2023, incluirá um dossiê sobre o tema: “Em fuga de conflitos armados". A data limite para entrega dos artigos é 10 de abril de 2023.

A recente invasão da Ucrânia por parte do exército Russo, bem como a continuação dos conflitos em Moçambique, Yemen e Síria, tem levantado, em nível midiático, um velho problema: a mobilidade humana induzida por guerras e outras formas de combates armados. Apesar das ações e dos bons propósitos da época posterior à Segunda Guerra Mundial, numerosos conflitos se desenvolveram nas últimas décadas em nível internacional, regional, nacional ou local. Alguns são extremamente midiáticos, enquanto outros permanecem bastante invisibilizados.

Conforme Armed conflict location & event data project (Acled, 2022) há 59 conflitos armados ativos em 2022, os quais se dão entre estado-nações ou, por vezes, envolvendo grupos armados locais. Alguns desses conflitos já têm uma baixa intensidade, sendo sempre possível uma repentina retomada. Em outros casos, apesar de encerrados, continuam vivas as consequências, sobretudo para a população civil. E é justamente a população civil a mais vitimizada: nos últimos anos, é crescente o número de civis mortos durante os combates ou devido às consequências dos conflitos (falta de alimentos, moradia e assistência sanitária, deslocamentos forçados, entre outros). E para além dos falecimentos, os conflitos impactam, sobretudo, na qualidade de vida de milhões de pessoas, obrigadas, com frequência, a sobreviver em condições degradantes e sem perspectivas para o futuro, inclusive com graves consequências em termos de saúde mental.

A mobilidade humana, nesse contexto, representa uma possível estratégia de sobrevivência e inclusão social. Em muitos casos trata-se de uma verdadeira fuga, sem nenhum tipo de preparação prévia que possa amenizar os perigos do deslocamento. Mesmo na terra de chegada, aos desafios da integração, que compartilham com todo tipo de migrante, se acrescenta a necessidade de lidar com as memórias e possíveis traumas dos eventos passados.

Este Dossiê está interessado em artigos que abordam os seguintes temas, de maneira não exclusiva:

  1. violação de direitos de pessoas em fuga de conflitos armados
  2. estratégias de sobrevivência por parte dos sujeitos envolvidos
  3. trajetórias de reconstrução das próprias vidas
  4. políticas de acolhimento e acompanhamento por parte dos países de acolhida (incluindo a sociedade civil organizada)
  5. situações específicas de mulheres e crianças não acompanhadas

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artigo (inédito; entre 35 e 45 mil caracteres com espaço) pode ser escrito em português, italiano, espanhol, francês ou inglês e será avaliado por dois referees. As normas de publicação e submissão estão disponíveis em: http://remhu.csem.org.br/index.php/remhu/about/submissions 

Os artigos devem ser enviados à Revista REMHU pelo site de submissão eletrônica de manuscritos: http://remhu.csem.org.br/index.php/remhu/index

 

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O número 69 da Revista REMHU, de dezembro de 2023, incluirá um dossiê sobre o tema: “Desafios educacionais da mobilidade humana contemporânea”. A data limite para entrega dos artigos é 10 de agosto de 2023.

A educação ocupa um grande papel na nossa sociedade. Na escola, além de aprender conteúdos, ler, escrever, os números... é onde entramos em contato com parte dos nossos códigos culturais e morais, aprendemos a conviver com pessoas e realidades diferentes. A formação educacional faz parte da construção da identidade do ser humano. Nas palavras de Edgar Morin, “a Educação deve contribuir para a autoformação da pessoa (ensinar a assumir a condição humana, ensinar a viver) e ensinar como se tornar cidadão” (2003, p. 65).

Assim sendo, as instituições educacionais são também espaços de relações de poder e conflitos, onde há disputas relacionadas a interesses específicos das pessoas envolvidas. Nessa perspectiva, as práticas pedagógicas podem seguir dinâmicas “bancárias” ou “libertadoras”, como alertava Paulo Freire (1983).

É neste contexto de extrema relevância e conflitividade dos espaços educacionais que se insere a figura da pessoa migrante. Quando pensamos as relações possíveis entre migração e educação, algumas questões são focadas e debatidas em termos positivos: o sistema escolar pode ser lugar de incorporação das pessoas migrantes; permite a interação e convivência com coetâneos autóctones, com a possibilidade de promover o reconhecimento recíproco; contribui na aprendizagem do idioma local, bem como de valores típicos do lugar de residência; possibilita a mobilidade social, sobretudo das novas gerações.

No entanto, as instituições escolares, em seus diferentes âmbitos, podem ser também palco de violações de direitos: dificuldades encontradas pelas pessoas migrantes, crianças, jovens e adultos, nos países receptores no que diz respeito ao acesso ao sistema educacional; os burocráticos processos de revalidação dos diplomas; experiências de discriminação e bullying; carências de percursos psicopedagógicos específicos para estudantes não nacionais recém-chegados; reduzida valorização das culturas e saberes das terras de origem; escassa formação do corpo docente em relação a percursos interculturais de formação; evasão escolar ou baixo rendimento em decorrência da necessidade de atividades para o sustento, entre outros.

Objetivo do número 69 da REMHU, Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana (dezembro 2023) é justamente aprofundar e refletir acerca dos desafios da presença de pessoas migrantes e refugiadas nas instituições educacionais, nos diferentes níveis de ensino, visando a promoção de processos pedagógicos inclusivos, interculturais e libertadores.

É possível elencar vários temas relacionados a educação, que estão associados aos desafios das pessoas migrantes nas sociedades de destino. Este Dossiê está interessado em artigos que abordem os seguintes temas, de maneira não exclusiva:

Políticas públicas de acesso e inclusão de pessoas migrantes no sistema educacional

Pessoas migrantes e seus desafios na educação básica (incluindo desafios relacionados ao gênero)

Revalidação de diplomas

Educação popular e migração

Discriminação, xenofobia e bullying nas instituições educacionais

Desafios da aprendizagem do idioma local

Educação intercultural e libertadora

Formação escolar de pessoas migrantes e mobilidade social

Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM)

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artigo (inédito; entre 35 e 45 mil caracteres com espaço) pode ser escrito em português, italiano, espanhol, francês ou inglês e será avaliado por dois referees. As normas de publicação e submissão estão disponíveis em: http://remhu.csem.org.br/index.php/remhu/about/submissions 

Os artigos devem ser enviados à Revista REMHU pelo site de submissão eletrônica de manuscritos: http://remhu.csem.org.br/index.php/remhu/index

 

Referências bibliográficas

FREIRE, Paulo. A pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.