Chamada de artigos: REMHU, n. 66 (dezembro 2022) e n. 67 (abril 2023)

2018-05-09

O número 66 da Revista REMHU, de dezembro de 2022, incluirá um dossiê sobre o tema: "Migração e arte” (data limite para entrega dos artigos, 10 de agosto de 2022).

As expressões artísticas possuem a potencialidade de gerar sentimentos, emoções, reflexões e, inclusive, pensamentos críticos sobre os fenômenos. Nas palavras de Mouffe (1999) são “um modo poderoso de politizar assuntos privados, convertendo-os em públicos”. A arte revela sujeitos, ressalta suas singularidades, promove empatia, permite a escuta do outro, para além dos paradigmas – e das tipificações – políticos e jurídicos. A arte interpela, questiona, perturba, exigindo uma tomada de posição por parte do interlocutor.
A arte pode se expressar das mais variadas maneiras, por intervenções artísticas, música, teatro, cinema, literatura, grafite, poesia, dança e fotografia, por exemplo. As expressões artísticas permitem uma aproximação e conexão social. Nesse sentido, arte consegue transmitir sentimentos, significados, formas de ocupar, experimentar e ser no mundo. Por isso, os fenômenos artísticos se conectam a dinâmica geral da experiência humana, podendo, assim, congregar experiências acerca de um fenômeno comum (Geertz, 2007).
No universo das migrações e da mobilidade, as expressões artísticas promovidas por e sobre migrantes em todo mundo refletem suas experiências vividas, suas subjetividades, e propiciam entendimento sobre como compreendem a sociedade de origem, os desafios enfrentados nos trajetos, a inserção na terra de chegada e, inclusive, a forma como são vistos pelos autóctones (Baily, 2006). A arte é também um instrumento de denúncia das discriminações e violações sofridas, de memória do que tende a ser esquecido ou camuflado (Ciurlo, 2021), de revigoramento dos horizontes almejados. Ao se conectar e retratar às experiências vividas, a arte pode aproximar pessoas que desconhecem a realidade das pessoas migrantes, promovendo espaços de encontro e interlocução.


Nestas perspectivas, este dossiê visa reunir trabalhos que tratem da relação entre migração/mobilidade e arte, buscando compreender como as composições artísticas nos ajudam a pensar a questão migratória, acessando experiências afetivas, emocionais e cognitivas com viés político e reflexivo. Podem ser exploradas as mais diversas formas de arte, desde que relacionadas à temática migratória.


Alguns tópicos que podem ser aprofundados nos artigos, embora não exclusivos, são os seguintes:
- Arte como movimento político de denúncia e conscientização
- Arte e transformação social
- Arte como acolhimento terapêutico aos migrantes
- Arte como instrumento de comunicação, interlocução e integração
- Arte como memória
- Manifestações artísticas sobre migrações e mobilidades (música, teatro, cinema, literatura, grafite, poesia, dança e fotografia)
- Manifestações artísticas de pessoas migrantes (música, teatro, cinema, literatura, grafite, poesia, dança e fotografia)

O artigo (inédito; entre 35 e 45 mil caraceres com espaço) pode ser escrito em português, italiano, espanhol, francês ou inglês e será avaliado por dois referees. As normas de publicação e submissão estão disponíveis em Submissões | Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana (csem.org.br)

Os artigos devem ser enviados à Revista REMHU pelo site de submissão eletrônica de manuscritos: Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana (csem.org.br)

Referências bibliográficas
BAILY, John; COLLYER, Michael. Introduction: Music and Migration. Journal of Ethnic and Migration Studies, v. 32, n. 2, p. 167-182, 2006.
CIURLO, Alessandra. L’arte nella costruzione della memoria collettiva colombiana: l’apporto della diaspora in Europa. REMHU, Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, v. 29, n. 62, pp. 63-78, 2021.
GEERTZ, Clifford. A arte como um sistema cultural. In: O saber local: Novos ensaios em antropologia interpretativa. Petrópolis: Vozes, 2007 [1983].
MOUFFE, Chantal. Pluralismo artístico e democracia radical. Diálogo de Chantal Mouffe com Marcelo Espósito. Democracia radical. Cad. EscLegisL, Belo Horizonte, v. 5, n. 9, p. 75-87 ,jul./dez. 1999.

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número 67 da Revista, de abril de 2023, incluirá um dossiê sobre o tema: “Mobilidades e diásporas negras nas Américas”. Data limite para entrega dos artigos, 10 de janeiro de 2023.

Organizadores convidados: Handerson Joseph (UFRGS, Brasil), Bruno Miranda (IISUNAM, México), Cédric Audebert (CNRS, Martinica, França)

Nas últimas décadas, acompanhamos a extensão dos polos da diáspora caribenha (Calmont, Audebert, 2007; Audebert, Domenach, 2008), bem como o crescimento das mobilidades originárias da África subsaariana em países da região latino-americana na forma de assentamentos, mais ou menos temporais e sob a condição de refúgio. Outras são as mobilidades em trânsito pela América do Sul e Central com o objetivo de alcançar à fronteira do México com os Estados Unidos, principalmente no caso das pessoas que solicitam refúgio nesse último país (Joseph, Miranda, 2021).

As rotas das populações migrantes negras nas Américas inscrevem-se em escalas espaciais e temporalidades mais ou menos largas, e determinam em grande medida a especificidade das suas experiências migratórias nos espaços de trânsito e de residência. Uma das características fundamentais destas migrações reside na geografia dos seus percursos. Com efeito, a diversidade crescente destas migrações Sul-Sul articula simultaneamente as mobilidades transamericanas (caribenhas) e transoceânicas (africanas subsaarianas), que se transformam em migrações Sul-Norte (na fronteira estadunidense). A articulação das escalas da mobilidade entre localidade e globalidade parece indispensável para compreender as lógicas de mundialização migratória nas quais se inscrevem as migrações de populações antilhanas e subsaarianas no continente.

Este Dossiê procura desenvolver novas abordagens, mudando nossas lentes não apenas em relação às diásporas negras, mas também os marcos conceituais e empíricos relacionados às mobilidades, principalmente a partir dos estudos que tratam das mobilidades negras, seja dentro ou a partir do Caribe e da África subsaariana, ou através das ramificações diaspóricas complexas que se constituem através da alteridade no espaço negro atlântico (Hoffmann, Poiret, Audebert, 2011).

Nossa proposta é também tematizar a negritude em movimento e o movimento da negritude, bem como a diáspora e o étnico em movimento por meio da ênfase dada à agência e à politicidade da pessoa negra no contexto da mobilidade. Buscamos também tornar suas trajetórias e experiências internacionalmente visíveis a partir da autonomia, num confronto aberto contra a miserabilidade de suas representações estatais e midiáticas, legitimadas porque se baseiam no racismo estrutural constantemente atualizado do ponto de vista neocolonial.

Este Dossiê está interessado em artigos que abordam os seguintes temas, de maneira não exclusiva:

- A racialização das pessoas migrantes africanas nos países latino-americanos ao longo do século XXI;

- As mobilidades das pessoas negras caribenhas (haitianas, cubanas, dominicanas, jamaicanas, portoriquenhas etc) nos diferentes polos migratórios do Caribe e fora dele;

- A produção de corredores migratórios por populações negras brasileiras, colombianas, venezuelanas, argentinas, peruanas, caribenhas e subsaarianas rumo ao Norte global, suas experiências de travessia de fronteiras frente ao controle migratório e securitização;

- A (re)atualização da reflexão sobre a diáspora negra nas Américas, e sobre o Atlântico negro como campo de estudo teórico e empírico.

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artigo (inédito; entre 35 e 45 mil caracteres com espaço) pode ser escrito em português,

italiano, espanhol, francês ou inglês e será avaliado por dois referees. As normas de publicação e submissão estão disponíveis em: http://remhu.csem.org.br/index.php/remhu/about/submissions 

Os artigos devem ser enviados à Revista REMHU pelo site de submissão eletrônica de manuscritos: http://remhu.csem.org.br/index.php/remhu/index

 

Referências

AUDEBERT, Cédric e DOMENACH, Hervé. (2008). “Les migrants caribéens: réseaux et descendance”. Revue européenne des migrations internationale, v. 24, n. 1. https://halshs.archives-ouvertes.fr/halshs-01456343

CALMONT, André e AUDEBERT, Cédric. (2007). “Dynamiques migratoires de la Caraïbe”. Karthala: collection Terres d'Amériques. https://halshs.archives-ouvertes.fr/halshs-01456375

HOFFMANN, Odile; POIRET, Christian e AUDEBERT, Cédric. (2011). “La construction de l’altérité dans l’espace noir atlantique : Etats-Unis, France, Caraïbes, Amérique latine”. Revue Européenne des Migrations Internationales, v. 27, n. 1,  https://halshs.archives-ouvertes.fr/halshs-01456333

JOSEPH, Handerson e MIRANDA, Bruno (Orgs). (2021). (Trans)Fronteriza: Movilidades y diásporas negras en las Americas. 1ª ed., Ciudad Autónoma de Buenos Aires: CLACSO. https://www.academia.edu/53170824/Movilidades_y_di%C3%A1sporas_negras_en_las_Americas