“Minha vida é andar por esse país...”: a emigração recente no Semiárido Setentrional, políticas sociais e meio ambiente

Autores

  • Ricardo Ojima Professor Adjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
  • José Vilton Costa Professor substituto do Departamento de Saúde Coletiva e Nutrição (UFRN).
  • Renata Kissya Calixta Mestranda em Demografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

DOI:

https://doi.org/10.1590/1980-85852503880004310

Palavras-chave:

Emigração, semiárido setentrional, deslocamentos ambientais, políticas sociais, out-migration, Northern Semiarid, environmental displacements, social policies.

Resumo

A categoria refugiados ambientais vem sendo utilizada para descrever os deslocamentos populacionais causados por condições climáticas extremas. As estimativas apontam que haverá um aumento significativo dessa modalidade de movimentos nos próximos anos, sobretudo pelo agravamento das condições ambientais decorrentes das mudanças climáticas. Entretanto, há grande controvérsia no que diz respeito ao peso que os fatores ambientais podem ter na decisão migratória. Nesse sentido, o artigo busca trazer uma reflexão sobre a pertinência da categoria refugiado ambiental no contexto da emigração do semiárido setentrional, a região mais castigada pelas secas. Para isso utilizamos os dados oficiais de decreto de Situação de Emergência (SE) e Estado de Calamidade Pública (ECP) e dados do Censo Demográfico 2010 para analisar o perfil e o papel que fatores ambientais e sociais podem ter sobre os emigrantes. Os resultados indicam que a ausência de programas de transferência de renda possui um papel mais importante do que a ocorrência oficial de secas entre os emigrantes dessa região. Assim, embora os resultados mereçam maiores investigações, as evidencias apontam que estratégias que contribuam para uma maior resiliência das pessoas são efetivas para o enfrentamento das secas.

 

“My life is walk through the country...”: recent out-migration in the northern semiarid, social policies and environment
The environmental refugee category has been used to describe the displacement caused by extreme weather conditions. Estimates are that there will be a significant increase in this type of movement in the coming years, mainly by worsening environmental conditions resulting from climate change. However, there is considerable controversy regarding the importance of environmental factors on migratory decision. In this sense, the article seeks to bring a reflection on the relevance of environmental refugee category in the context of out-migration from northern semiarid region, the more burdened by drought. For this we use the official data of decree Emergency Situation (SE) and the State of Public Calamity (ECP) and 2010 Census data to analyze the profile and the role that environmental and social factors can have on migrants. The results indicate that the absence of income transfer programs have a more important role than the official droughts among out-migration from this region. Although the results need further investigation, the evidence points to strategies that contribute to greater resilience of the people are effective for coping with drought.

 

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Biografia do Autor

Ricardo Ojima, Professor Adjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

professor Adjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Doutor em Demografia pela UNICAMP. E-mail: ricardo.ojima@gmail.com. Natal/Brasil.

José Vilton Costa, Professor substituto do Departamento de Saúde Coletiva e Nutrição (UFRN).

professor substituto do Departamento de Saúde Coletiva e Nutrição (UFRN), pós-doutorando junto ao Programa de Pós-graduação em Demografia (UFRN), Doutor em Saúde Coletiva pela UNICAMP. E-mail: josevilton@gmail.com. Natal/Brasil.

Renata Kissya Calixta, Mestranda em Demografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

mestranda em Demografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Graduada em Geografia. E-mail:
renatakissya@oi.com.br. Natal/Brasil.