Entre o cuidado e o negócio
jovens venezuelanas empreendedoras em São Paulo
DOI:
https://doi.org/10.1590/1980-858525038800033108Palavras-chave:
jovens mulheres migrantes, trabalho e cuidado, redes de apoio, migração venezuelana, empreendedorismo, entrepreneurshipResumo
Este artigo analisa as práticas colaborativas e as redes de apoio construídas por jovens mulheres migrantes venezuelanas empreendedoras na Região Metropolitana de São Paulo. Diante das múltiplas barreiras de inserção no mercado formal – como a não validação de diplomas, entraves linguísticos e a sobrecarga do trabalho de cuidado –, essas mulheres recorrem ao empreendedorismo como uma estratégia de sobrevivência. Contudo, suas experiências revelam que, embora inseridas em condições precárias e de instabilidade, essas jovens constroem redes de apoio que transcendem a lógica da subsistência, fundamentadas na cooperação, no compartilhamento de saberes e no cuidado coletivo. Tomando por base a realização de entrevistas em profundidade com cinco mulheres, este estudo evidencia como essas práticas articulam dimensões econômicas, comunitárias e políticas, revelando formas alternativas de organização do trabalho em contextos de desigualdade. A análise contribui para o debate sobre juventudes migrantes, empreendedorismo e gênero, destacando a importância das redes para a construção de futuros possíveis.
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