Do Brasil à Dinamarca
percepções de identidade na experiência de mulheres brasileiras migrantes
DOI:
https://doi.org/10.1590/1980-858525038800033208Palavras-chave:
interculturalidade, imigração, identidade, migração feminina, relações entre norte e sul globalResumo
Este artigo investiga como mulheres brasileiras residentes da Dinamarca constroem sentidos de identidade e pertencimento em um contexto marcado por políticas de integração assimilacionistas e diferentes imagens nacionais. A partir de métodos quali-quantitativos, a pesquisa revela que experiências prévias de racialização no Brasil moldam a forma como essas mulheres interpretam discriminações no país de acolhida. Apesar de algumas possuírem cidadania europeia e fluência no idioma local, marcadores como aparência, sotaque e nacionalidade continuam a operar como fronteiras simbólicas de exclusão. A branquitude, entendida como norma silenciosa de pertencimento, deslegitima a presença de brasileiras não conformes a esse ideal. O artigo mostra como o “ser brasileira” torna-se um marcador que ativa estigmas de hiperssexualização e subalternidade. Diante disso, as mulheres desenvolvem estratégias de mediação, desde a auto estereotipação até a tentativa de dissociação dos estigmas. A análise destaca a importância das memórias identitárias forjadas no Brasil como filtro ativo de interpretação no processo migratório.
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