Efeitos da crise económica e das políticas de austeridade na saúde e no acesso aos cuidados de saúde da população migrante em quatro países do sul da Europa: revisão scoping

  • Nuno Moita Jordão Centro Hospitalar Universitário do Algarve - Faro, Portugal
  • Cláudia de Freitas Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, Portugal
  • Manuel García Ramírez Universidade de Sevilha, Espanha
Palavras-chave: crise económica; políticas de austeridade; estado de saúde; acesso aos serviços de saúde; migrantes; Portugal; Espanha; Itália; Grécia

Resumo

O objectivo deste artigo é reunir e sintetizar o conhecimento existente sobre o impacto da crise económica e das consequentes políticas de austeridade no estado de saúde e no acesso aos cuidados de saúde das populações migrantes em quatro países do sul da Europa, nomeadamente Portugal, Espanha, Itália e Grécia. Foi realizado um scoping review baseado em estudos empíricos publicados em revistas indexadas, entre Janeiro de 2009 e Julho de 2016. As bases de dados utilizadas foram a MEDLINE/PubMed, Web of Science, EconLit e SciELO. Foram identificados 1187 estudos. Selecionaram-se artigos que abordam os impactos da crise e das políticas de austeridade na saúde e acesso aos cuidados de saúde da população migrante em Portugal, Espanha, Itália ou Grécia. Numa primeira fase foram analisados os títulos e resumos dos artigos, seguida de uma leitura integral numa segunda fase. Foram selecionados 18 artigos. Os resultados analisados indicam que a crise económica e as políticas de austeridade tiveram um impacto negativo na saúde e no acesso aos cuidados de saúde dos migrantes em três países, já que não se encontraram dados relativos a Portugal. Os seus efeitos negativos espelham-se na saúde mental, saúde ocupacional, doenças transmissíveis e não transmissíveis, saúde infantil e na perceção subjetiva de saúde. A acessibilidade dos cuidados de saúde tornou-se mais limitada em Espanha, especialmente para a população de imigrantes em situação irregular. Esta revisão da literatura mostra que as populações migrantes nos países estudados se encontram numa situação de vulnerabilidade face aos impactos negativos da crise e das políticas de austeridade, ao aumentarem as necessidades em saúde e diminuírem a acessibilidade dos cuidados. É necessário colmatar as falhas de evidência que subsistem, assim como em disseminar a evidência científica, de modo a informar alterações na legislação e na prática da prestação de cuidados de saúde que possam garantir o direito à saúde e restabelecer a universalidade do acesso aos serviços sanitários.

Biografia do Autor

Nuno Moita Jordão, Centro Hospitalar Universitário do Algarve - Faro, Portugal

Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária no Centro Hospitalar Universitário do Algarve – Faro, Portugal;

Mestre em Migrações Internacionais, Saúde e Bem-estar

Cláudia de Freitas, Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, Portugal

Investigadora Auxiliar no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, Portugal;

Doutorada em Ciências Sociais

Manuel García Ramírez, Universidade de Sevilha, Espanha

Professor Titular na Universidade de Sevilha, Espanha;

Doutorado em Psicologia Social

Publicado
2018-11-27